31/07/2026 - Marco Aurélio Cardenas Acosta foi morto em 2024 por policiais militares em São Paulo
Reprodução/TV Globo
A Justiça de São Paulo decretou nesta sexta-feira (31) a prisão preventiva do policial militar Bruno Carvalho do Prado, um dos réus pela morte do estudante de medicina Marco Aurélio Cardenas Acosta, morto com um tiro à queima-roupa durante uma abordagem policial na Vila Mariana, Zona Sul da capital, em 2024.
Em fevereiro, a Justiça determinou que Bruno e o colega de farda Guilherme Augusto Macedo serão levados a júri popular, cuja data será definida. Os policiais respondem em liberdade pelo crime de homicídio qualificado por motivo torpe e com recurso que dificulta a defesa da vítima.
A ordem de prisão foi assinada pela juíza Luiza Torggler Silva, da 4ª Vara do Júri, após pedido apresentado pela assistência de acusação da família da vítima e manifestação favorável do Ministério Público. A decisão menciona investigação em andamento na 1ª Vara de Violência Doméstica de Santo Amaro por supostos crimes de ameaça e lesão corporal cometidos por Bruno contra a própria esposa.
Câmera corporal mostra momento em que estudante de medicina é morto por PM
Para a juíza, a notícia de novas práticas criminosas, somada à gravidade da acusação pela morte de Marco Aurélio, demonstra risco à ordem pública e evidencia a periculosidade social do policial.
A decisão determina a expedição imediata do mandado de prisão preventiva e a apreensão de armas de fogo em posse do PM.
O pedido de prisão foi protocolado pelos advogados da família de Marco Aurélio na última terça-feira (28). A petição sustenta que Bruno descumpriu as condições impostas pela Justiça para responder ao processo em liberdade e argumenta que as medidas cautelares anteriores se mostraram insuficientes.
No documento, os advogados afirmam que a esposa do PM relatou à polícia ameaças de morte recorrentes ao longo dos últimos dois anos. Segundo o boletim de ocorrência reproduzido na petição, ela declarou que o marido dizia que iria matá-la e "colocá-la no caixão e mandar para o Ceará".
A mulher também relatou que, durante uma discussão em abril deste ano, após pedir a separação, foi segurada pelo braço, sofreu hematomas e fugiu de casa temendo por sua integridade física. Ainda segundo o relato, a mulher acionou a Polícia Militar após Bruno se dirigir ao quarto onde costumava guardar seu armamento.
Estudante de medicina Marco Aurélio Cardenas Acosta foi morto por PM com tiro à queima-roupa.
Arquivo pessoal
Relembre o crime
Marco Aurélio foi morto com um tiro à queima-roupa durante uma abordagem policial na madrugada de 20 de outubro de 2024, na Vila Mariana.
A confusão começou quando Marco Aurélio deu um tapa no retrovisor de uma viatura que passava pela Rua Cubatão e correu para dentro de um hotel, onde estava hospedado com uma amiga. No veículo estavam os PMs Guilherme Augusto Macedo e Bruno Carvalho do Prado.
Após o tapa no retrovisor, os policiais desceram da viatura e seguiram o estudante até o saguão do hotel. Nas imagens, Guilherme aponta o revólver e grita "você vai tomar", enquanto tenta puxar o jovem pelo braço.
PM que matou estudante de medicina em SP contou versões diferentes do crime
Em seguida, Bruno chuta o estudante, que reage segurando o pé do policial — ele cai no chão. Logo depois, Guilherme atira à queima-roupa, acertando o abdômen do estudante.
A vítima foi levada para o Hospital Ipiranga, mas não resistiu aos ferimentos. A unidade estava superlotada e sem equipamento de tomografia, segundo a ficha de atendimento médico.
Apesar dos três pedidos de prisão preventiva da família da vítima, os policiais respondem ao processo em liberdade.
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